Duas décadas de esforço, economia e trabalho manual terminaram em cerca de 15 minutos para Fabiana Silva Oliveira, de 47 anos, e Luciano de Oliveira Freitas, de 43. A casa erguida pelo próprio casal no bairro Três Moinhos, em Juiz de Fora, foi atingida por um deslizamento de terra após as fortes chuvas que castigam a cidade desde segunda-feira (23). Hoje, eles estão entre as famílias acolhidas em um dos 15 abrigos abertos no município.
Juiz de Fora, principal cidade da Zona da Mata mineira, enfrenta uma sequência de temporais que já provocaram dezenas de deslizamentos, mortes e deixaram milhares de pessoas fora de casa. Também em Ubá, na mesma região, os volumes de chuva causaram destruição. O número de mortos passa de 60, há desaparecidos e mais de 3 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas. A previsão indica continuidade da chuva até sexta-feira (27). Na cidade, 15 escolas foram transformadas em abrigos provisórios.
Pedreiro, Luciano conta que dedicava os fins de semana à construção do imóvel na Rua Maria Florice dos Santos. Durante anos, o casal pagou aluguel enquanto levantava, etapa por etapa, a casa própria. O imóvel ficou pronto há seis anos — tempo suficiente para consolidar planos, memórias e estabilidade.
Na noite do deslizamento, o barranco cedeu e soterrou a residência. O casal não estava no local: havia saído para o aniversário de uma sobrinha.
“Desceu uma avalanche de terra e levou tudo o que tínhamos. Só nos sobrou a roupa do corpo”, relatou Fabiana.
“Se eu estivesse em casa, teria morrido. Perdemos todos os bens materiais, mas Deus guardou as nossas vidas”, afirmou.
tpower – @portaltpower
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