Diagnosticado aos 16 anos com anemia aplástica medular severa, Ítalo Cantanhede, hoje com 17, enfrentou uma doença rara que atinge cerca de 2,4 pessoas a cada 1 milhão no Brasil e compromete a produção de células sanguíneas, provocando infecções e sangramentos frequentes.
O quadro exigiu internação prolongada. Após exames confirmarem a gravidade, ele passou 40 dias na UTI e precisou de transfusões constantes. Durante o tratamento, uma médica indicou o transplante de medula óssea como alternativa terapêutica.
Para realizar a quimioterapia preparatória, Ítalo deixou Belém e seguiu para São Paulo. Mesmo hospitalizado, decidiu manter o foco no sonho antigo de cursar Medicina. Com autorização judicial, realizou o Enem dentro do hospital, acompanhado por uma enfermeira e três aplicadores do Inep.
“O tempo de estudo foi bem irregular, porque as transfusões sanguíneas faziam com que eu dormisse o dia todo. Estudava quando podia. Geralmente, de manhã eu conseguia estudar um pouco, mas não conseguia manter uma rotina certa”, contou.
O resultado confirmou a dedicação. O estudante foi aprovado para Medicina na UFRJ, na UFPA e na UEPA, optando por cursar a graduação no Pará. O transplante foi considerado um sucesso. A doação partiu da irmã, Ísis, de seis anos, 100% compatível. Agora, considerado curado, ele permanece internado para tratar infecções anteriores ao procedimento e se prepara para iniciar uma nova etapa na vida acadêmica.
tpower – @portaltpower
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