Um atleta paraplégico da cidade de Palotina (PR) recebeu, há uma semana, a aplicação de polilaminina e já apresentou os primeiros sinais de movimento no braço. O procedimento representa uma nova esperança para William Carboni Kerber, de 27 anos, que ficou tetraplégico após sofrer um acidente de carro.
William é atleta profissional de vôlei do time Suzano. Ele foi selecionado para participar dos estudos relacionados à polilaminina e deu entrada no hospital na noite de 20 de fevereiro para a preparação cirúrgica. O procedimento foi realizado na manhã de sábado (21).
A substância aplicada é produzida a partir de uma proteína que o próprio corpo humano sintetiza. A pesquisa foi iniciada há quase 30 anos pela bióloga Tatiana Sampaio, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em laboratório, foi desenvolvida uma rede de proteínas chamadas lamininas. A combinação dessas proteínas deu origem à polilaminina, criada com o objetivo de estimular a regeneração dos axônios, estruturas responsáveis por transmitir informações entre os neurônios.
De acordo com os pesquisadores, a polilaminina não é indicada para lesões incompletas, e a fisioterapia é considerada indispensável no processo de reabilitação.
Em um estudo acadêmico realizado com oito pacientes com lesão medular completa, 75% apresentaram algum nível de recuperação da função motora.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o início de um estudo clínico oficial previsto para março. Caso as três fases do estudo sejam concluídas com sucesso, a expectativa apresentada pelos responsáveis é que a polilaminina possa ser disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em até cinco anos.
tpower – @portaltpower
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