Aos 67 anos, Pedro Rocha Filho, conhecido como Coroa, entrou pela primeira vez na agência do Banco do Brasil em Apodi, no sertão do Rio Grande do Norte, sem a intenção de cometer um crime. O episódio ocorreu em 27 de abril de 2025 e simbolizou um contraste com o passado de um dos assaltantes de bancos mais temidos do Nordeste.
Durante décadas, Coroa liderou quadrilhas, fez reféns, espalhou pânico em agências bancárias e fugiu com grandes quantias de dinheiro. Atuou em ações criminosas no Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Pernambuco, somando mais de 100 assaltos. Mesmo com a longa trajetória no crime, terminou a vida sem patrimônio e em situação de pobreza extrema. “Roubei mais de 100 bancos e não tenho onde morar”, resumiu.
Condenado a 131 anos e oito meses de prisão, cumpriu 26 anos, oito meses e cinco dias da pena. Em setembro de 2021, passou a cumprir prisão domiciliar. A primeira prisão ocorreu em dezembro de 1988 e a última em 2002, em Alagoas, pela Polícia Federal. Os crimes renderam manchetes e reportagens em diversos veículos, incluindo o programa Linha Direta, da TV Globo.
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A história está registrada no livro “Pedro Rocha – A história de um dos mais temidos assaltantes de bancos do Nordeste”, do jornalista e policial penal Márcio Moraes. Durante a produção da obra, o autor obteve autorização judicial para acompanhar Coroa em antigos esconderijos e em agências bancárias atacadas pela quadrilha. Em Apodi, ao entrar no banco como cidadão, o ex-assaltante se emocionou ao lembrar que antes só frequentava o local para roubar.
Atualmente, Coroa vive na periferia de Mossoró (RN), em uma casa simples, com poucos móveis. O aluguel é pago pela irmã. Ele tem cinco filhos e, segundo o autor do livro, não investiu na educação deles. Assistido pela Defensoria Pública, afirma que o crime não trouxe retorno e que nada do que fez valeu a pena.
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