O Brasil pode enfrentar pelo menos seis ondas de calor entre setembro e dezembro, segundo análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Os episódios devem atingir diferentes regiões do país e podem ser ainda mais numerosos caso o próximo El Niño se confirme entre os mais intensos já registrados.
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A estimativa foi baseada em 47 anos de registros de temperatura durante períodos de El Niño. No último evento, o país registrou nove ondas de calor entre agosto e dezembro, mais que o dobro da média histórica, de quatro episódios.
Uma onda de calor ocorre quando as temperaturas máximas e mínimas permanecem excepcionalmente acima da média por pelo menos três dias consecutivos.
Segundo pesquisadores do Cemaden, os episódios se tornaram mais frequentes e abrangentes nas últimas décadas. Desde 2010, especialmente após 2020, as ondas de calor passaram a atingir áreas maiores e podem alcançar o país inteiro simultaneamente.
A previsão para setembro indica temperaturas acima da média em grande parte do Brasil, com possibilidade de registros até 3°C superiores ao normal. Ainda não é possível determinar quando ocorrerá a primeira onda de calor.
O fenômeno também pode agravar a seca e aumentar o risco de incêndios. Atualmente, 157 municípios estão em situação de seca severa, principalmente no Norte e Nordeste. Outros 560 municípios estão em alerta alto para risco de fogo, abrangendo mais de 3 milhões de quilômetros quadrados.
O calor intenso também pode afetar os preços dos alimentos. Em um cenário de El Niño forte, alimentos in natura, como carnes e hortaliças, podem registrar alta de até 19,9%, segundo estudo citado na análise.